Dorian Godon abriu a Volta à Catalunha 2026 com vitória na 1ª etapa, mas por muito pouco, resistindo ao sprint final de
Remco Evenepoel na linha após uma chegada que se desfez de forma dramática em Sant Feliu de Guíxols.
O que parecia um movimento na hora certa transformou-se rapidamente numa luta pela sobrevivência, quando Godon lançou a resposta ao belga e passou para dianteira, começou a “bloquear” e foi obrigado a aguentar enquanto Evenepoel recuperava nos metros finais. Os dois cortaram a meta praticamente lado a lado, com o corredor da
INEOS Grenadiers a necessitar de um “golpe de bicicleta” para garantir o triunfo num photo-finish apertado.
Um sprint decidido à resistência
No papel, a etapa inaugural apontava para um sprint reduzido, mas a realidade foi bem mais complexa.
Depois de uma fuga com 5 homens a animar boa parte do dia, a corrida foi redesenhada já tarde pela UAE Team Emirates - XRG, que acelerou dentro dos últimos 10 quilómetros e dividiu brevemente o pelotão. Vários corredores cederam na aceleração, antes de a descida permitir um reagrupamento e preparar um final tenso. Essa sequência deixou um grupo fatigado, mas ainda numeroso, a discutir a chegada, onde a colocação e o timing foram decisivos.
Godon admitiu depois o quão exigente foi o final. “Sim, foi super duro ao longo da costa. Foi mesmo, mesmo rápido, e havia um pouco de vento de frente, por isso eu estava por volta da 20ª ou 30ª posição e não foi fácil avançar,”
disse o campeão francês ao Cycling Pro Net. Depois de lutar para subir, conseguiu manter-se bem colocado na dianteira nos momentos decisivos. “Depois, na descida, consegui ficar no top-5. Lançaram o sprint muito cedo, a cerca de 400 metros, e pareceu interminável”.
Arranque precoce, dúvida tardia
Esse arranque precoce acabou por ser simultaneamente a jogada vencedora e a fonte de perigo no final.
Quando
Tom Pidcock abriu o sprint de longe, Godon seguiu e comprometeu, mas rapidamente ficou exposto ao vento de frente e sem forças nos metros derradeiros. Evenepoel, a terminar mais forte, parecia encurtar rapidamente à medida que a linha se aproximava. “Sim, tive de fazer um esforço porque houve movimento pela esquerda a cerca de 500 metros. No fim, havia um pouco de vento de frente e, na verdade, passei o Remco bastante cedo”.
Em retrospetiva, o timing esteve longe do ideal. “Talvez devesse ter esperado um pouco mais, mas não tinha a certeza. Nos últimos 50 metros, já não tinha nada, estava completamente vazio”.
Foi nesse trecho final que a corrida passou de controlada a caótica. “Os últimos 50 metros pareceram uma hora para mim”.
Godon não celebrou na linha, sem certezas de ter aguentado, já que a maior velocidade de Evenepoel na passagem pela meta deixou o desfecho momentaneamente incerto mesmo após ambos a cruzarem.
Uma vitória com peso adicional
Para além da margem mínima, o triunfo trouxe significado extra para Godon. “É uma recompensa para a equipa. Toda a gente esteve muito bem hoje. E ter a camisola de líder na Catalunha é subir mais um degrau”.
A chegada em Sant Feliu de Guíxols também teve um valor pessoal, já que o francês passou tempo na região em fases anteriores da sua vida. “Estas são estradas onde costumava treinar. Estudei fisioterapia durante oito anos, a cerca de 30 quilómetros daqui, por isso parava muitas vezes aqui para um café. Tinha sempre isto em mente quando passava por Sant Feliu de Guíxols”.
Depois de um bom desempenho no Paris-Nice,
onde venceu uma etapa e ganhou confiança frente a concorrência de alto nível, este resultado reforça a sua progressão. “Sim, é isso. Já andava perto, mas com o Paris-Nice ganhei confiança e tenho uma grande equipa. Vencer à frente do Remco, foi um belo duelo no final”.
Para Godon, a 1ª etapa na Catalunha foi mais do que uma vitória: foi a confirmação de um corredor em subida de nível, mesmo que tenha tido de sofrer até ao último metro para a selar.