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Team Visma | Lease a Bike entra na
Volta a Itália de 2026 com a maior responsabilidade, e
Jonas Vingegaard poderá contar com o apoio do seu homem de confiança,
Victor Campenaerts. O belga volta a acompanhar o seu líder noutra Grande Volta e avisa que a equipa neerlandesa está preparada para lutar pela vitória.
“Diria que o Jonas esteve muito descontraído no estágio. Claro que começou bem a época, vencendo o Paris-Nice e a Volta à Catalunha, o que é sempre positivo”, partilhou Campenaerts com a
Cyclingnews na antecâmara da Grande Partenza.
Todos os sinais são positivos para o dinamarquês que, tirando uma pequena queda e uma doença no início de fevereiro que o levaram a falhar o UAE Tour, fez uma primavera praticamente limpa. As exibições no Paris-Nice e na Catalunha foram convincentes, e não houve percalços no mês que antecedeu o arranque de hoje da Corsa Rosa, nas margens do Mar Negro, na Bulgária.
“Quando já tens vitórias, tudo fica mais tranquilo, e divertimo-nos muito”, assegura. “Surpreende-me muitas vezes que as pessoas pensem que para nós é tudo super sério, mas na verdade, nós divertimo-nos bastante. Claro que fazemos tudo como deve ser, mas isso não significa que não possamos fazer uma piada à mesa”.
Para além do sucesso de Vingegaard, a vitória de Wout Van Aert em Roubaix reforçou ainda mais a motivação da equipa nesta primavera. Com Vingegaard a partir como principal favorito e com a possibilidade de completar o trio de Grandes Voltas, a ambição de vencer esta corrida é maior do que o habitual.
“Preparámos este Giro muito bem. Fizemos um longo estágio em altitude juntos, e este é o nosso segundo grande objetivo enquanto equipa. Primeiro, tivemos os Monumentos, onde estivemos muito bem, com o Wout a ganhar Roubaix. Eu não fiz parte disso, mas este é o segundo objetivo realmente importante da equipa, e estamos prontos”.
Relação com Jonas Vingegaard
Depois de correr o Paris-Nice, o Dauphiné, a Volta a França e a Volta a Espanha ao lado do dinamarquês no ano passado, não restaram dúvidas. Campenaerts foi uma contratação perfeita para a Visma. Encaixou rapidamente na hierarquia e tornou-se o gregário pessoal de Vingegaard para as etapas planas e de média montanha, mostrando, inclusive, um nível nunca visto na alta montanha.
A sua estatura permite trocas de bicicleta sem riscos, enquanto a experiência e a capacidade como rolador e especialista das clássicas o tornam crucial no posicionamento de Vingegaard.
Os seus vlogs diários na Volta a França também revelaram um bom ambiente no grupo, e o belga trouxe ar fresco à equipa neerlandesa. A atenção ao detalhe e o compromisso com a evolução enquanto ciclista são quase ímpares,
como mostram os seus horários de sono extremos de que recentemente falou, e elevam o nível coletivo.
Ajuda também a boa relação com Jonas Vingegaard. “Diria que ‘próximos’ é relativo. Não é como se, na época baixa, fôssemos jantar com as famílias, ou voássemos da Dinamarca para a Bélgica e vice-versa. Mas fazemos bastantes corridas juntos e há uma boa correspondência entre as minhas capacidades como gregário e o objetivo de o ajudar a ganhar corridas, o que é sempre positivo”.
Enquanto o dinamarquês é estreante na Corsa Rosa, Campenaerts parte para a sua sexta participação. Mas será, ainda assim, uma experiência diferente.
“Não há muitos segredos. Sim, fiz o Giro cinco vezes, mas em nenhuma delas fui homem de geral ou gregário para a geral, por isso é difícil dar-lhe bons conselhos nesse sentido. Claro que é sabido que no Giro há quase sempre dias duros pelas condições meteorológicas, mas o que é que se pode fazer”, concluiu.