Prova do worldtour vencida por João Almeida em 2025 e que terá Pogacar em 2026 tem futuro em risco: "Será muito difícil..."

Ciclismo
quinta-feira, 02 abril 2026 a 14:00
almeida
A Volta à Romandia poderá alinhar na estrada, em 2026, sem patrocinador principal para a camisola amarela. Após vários anos de ligação à Vaudoise Assurances e, mais recentemente, ao queijo Le Maréchal, a organização ainda não encontrou um sucessor, deixando em aberto uma lacuna que representa cerca de 10% de um orçamento anual na ordem dos 4,5 milhões de francos suíços. A prova decorre entre 28 de abril e 3 de maio, com passagem por Villars-sur-Glâne, Martigny, Rue, Vucherens, Orbe, Broc, Charmey, Lucens e Leysin.
A poucas semanas do arranque, o cenário é delicado. “E será muito difícil recuperar o tempo perdido”, assume Richard Chassot, diretor da corrida, em declarções ao 20 minutes. “Porque são orçamentos consideráveis… Para este ano, tudo o que podia ser impresso já foi feito. Os banners, os arcos da linha de chegada, todos os lugares onde se pode colocar publicidade. Se alguém quiser se tornar o principal patrocinador desta edição, é quase uma missão impossível. Ou encontraremos um mecenas que fique feliz em estampar a nossa camisa amarela, que esteja satisfeito com essa visibilidade e que queira contribuir para salvar a Volta à Romandia.”
A margem financeira é reduzida e não permite grandes manobras. “A Fundação Tour de Romandie não tem as reservas necessárias para realizar três ou quatro edições enquanto aguarda um possível patrocinador”, explica o responsável suíço. “Temos recursos suficientes para realizar uma edição sem o apoio da equipa da camisa amarela. Mas, como não quero reduzir os nossos padrões de segurança ou acomodação, e queremos permanecer no World Tour (a elite do ciclismo, que garante ao organizador a participação das melhores equipes do mundo), cada dia nos custa muito dinheiro. A Covid consumiu parte de nossas reservas e temos a obrigação de encontrar um patrocinador principal!”
Apesar das dificuldades, a corrida mantém uma forte projeção internacional. Em 2025, cerca de 36 mil espectadores acompanharam diariamente a prova em direto na Suíça francófona através da RTS2, com picos a rondar os 72 mil nas etapas de montanha. A transmissão chega habitualmente a mais de 135 países, incluindo Portugal, podendo atingir perto de 190 consoante a edição. A presença mediática também cresceu significativamente, em particular com nomes sonantes do pelotão.
O vencedor da edição transata foi precisamente o português João Almeida, da UAE Team Emirates - XRG, tendo sido 2º classificado em duas etapas e 3º noutra. Lenny Martinez e Jay Vine, colega de Almeida, completaram o pódio. Samuel Watson, Mathhew Brennan, Lorenzo Fortunato, Jay Vine, Lenny Martinez e Remco Evenepoel foram os vencedores das 6 etapas.
Martínez bateu João Almeida na Volta à Romandia, sem espinhas. @Sirotti
Em 2026, a expectativa aumenta com a participação de Tadej Pogacar, que procura acrescentar a corrida suíça ao seu palmarés. O esloveno utilizará esta competição como preparação para a Volta a França, onde poderá igualar o recorde de cinco vitórias pertencente a Jacques Anquetil, Eddy Merckx, Bernard Hinault e Miguel Indurain. Recordamos também que a corrida faz parte das 7 "major tours" - as mais importantes corridas de 1 semana do worldtour - e que o campeão do mundo aponta à vitória em todas, tendo já conquistado quatro: Paris-Nice, Tirreno-Adriatico, Volta à Catalunha e Critérium du Dauphiné.
O contexto económico internacional também tem condicionado a captação de investimento. Entre crises recentes e instabilidade global, à cabeça a Guerra na Ucrânia e a Guerra do Médio Oriente, muitas empresas optam por maior prudência. “Nunca para”, lamenta Chassot. “Mas nossa edição de 2026 pode ser uma plataforma para a próxima. Porque sem um patrocinador principal para 2027, não conseguiremos manter a estabilidade financeira. No ciclismo, é um equilíbrio frágil porque, ao contrário de quase todos os outros desportos, não podemos vender ingressos”.
Entretanto, houve novidades no panorama do ciclismo suíço, com a entrada do Lidl como patrocinador de duas das principais corridas do país. “O ciclismo está perfeitamente alinhado com os nossos valores: é acessível, saudável e une as pessoas”, explicou Bram van der Valk, responsável do Lidl Suíça. “Por meio do nosso envolvimento na Volta à Suíça e na Volta à Romandia, esperamos incentivar as pessoas a simplesmente incorporarem a atividade física e uma alimentação equilibrada nas suas vidas diárias”.
Ainda assim, o diretor da prova reconhece as dificuldades em atrair investimento interno. “Quem tem dinheiro aqui geralmente não se interessa por ciclismo, e as empresas que precisam se promover atualmente preferem estabilizar seus negócios, o que é perfeitamente normal”, conclui Chassot.
“Os setores de seguros e os grandes bancos daqui tendem a investir no exterior. No entanto, somos o único evento esportivo a levar o nome ‘Romandia’, que não existe politicamente, e a exibi-lo internacionalmente. E se Pogacar vestir a camisola amarela, isso proporciona uma exposição incrível!”
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