Tiesj Benoot vai iniciar a temporada de 2026 com novas cores, trocando o amarelo e preto da
Team Visma | Lease a Bike pelo equipamento da Decathlon CMA CGM Team. Após quatro anos bem-sucedidos na formação neerlandesa, o belga explicou a decisão de sair da sua zona de conforto e juntar-se a uma equipa que vê como um dos projetos com crescimento mais rápido no pelotão.
A estreia está prevista para fevereiro, na Volta ao Algarve, já com a nova equipa. Numa entrevista ao
In de Leiderstrui, Benoot detalhou as motivações para a transferência.
Porque saiu Benoot da Visma?
“A maior diferença é que passo a trabalhar com muitas pessoas novas. Se fosse começar agora o meu quinto ano na Visma, tudo se tornaria um pouco banal”, admitiu Benoot. “Não estava cansado disso, mas é refrescante. Sentes vontade de te voltares a provar, conheces muitas pessoas novas e, a nível estrutural, as coisas funcionam um pouco diferente. Mas isso acontece em todas as equipas”.
Convenceram-no a visão e o plano apresentados pela direção, vendo a oportunidade de integrar uma equipa em clara trajetória ascendente. “Depois das conversas com Dominique Serieys e Stephen Barret, fiquei convencido de que podia ser uma boa etapa e também tinha vontade de sair da minha zona de conforto e entrar num projeto em crescimento”.
Tiesj Benoot e Wout van Aert são amigos muito próximos
Um fator relevante foi a pressão esmagadora para ganhar na
Team Visma | Lease a Bike. Após a época histórica de 2023, com as três Grandes Voltas conquistadas, a fasquia ficou tão alta que tudo o que ficasse aquém soava a fracasso.
“Na Visma ganhámos três Grandes Voltas e cinco clássicas da primavera em 2023. Quer queiras quer não, és medido por isso”, explicou. “Quando ficámos em segundo no verão passado [na
Volta a França] e vencemos a classificação por equipas, não podia dizer que soube a vitória. Mas se isso acontecer aqui [na Decathlon], a época é mais do que bem-sucedida”.
Vê a Decathlon CMA CGM como uma equipa a recuperar o brilho de outros tempos, sublinhando a rápida ascensão no Ranking UCI nos últimos dois anos.
“É uma das equipas que mais cresce no ciclismo profissional. Se vires onde já ficaram no Ranking UCI nos últimos dois anos e não com os maiores nomes: quinto e sexto, penso eu. Foi também uma das razões para, finalmente, dar o passo, integrar um projeto em crescimento. Toda a gente tem vontade de avançar e isso é algo de que precisas para seres exigente”.
Saída em bons termos
A saída de Benoot foi recebida com pesar pela direção da Visma, incluindo Richard Plugge e Grischa Niermann.
O seu grande amigo Wout van Aert também tentou convencê-lo a ficar, mas ninguém o demoveu. Ainda assim, não houve ressentimentos.
“Continuo a ter uma relação muito boa com o Wout e falei com ele antes de assinar”, contou Benoot. “Queria que soubesse o que se passava, até porque estávamos a trabalhar num projeto juntos. É bom ouvir isso [que ficaram desiludidos] e eu podia ter-me dado bem na Visma, mas também não morreu ninguém”.
Antes da decisão final, Benoot aconselhou-se com amigos e futuros colegas dentro da estrutura da Decathlon, incluindo Oliver Naesen, Stan Dewulf e Johannes Staune Mittet, que confirmaram a boa impressão sobre a cultura da equipa.
“A imagem que me traçaram corresponde ao que vejo. A vontade de melhorar é muito grande”, concluiu.