"Tentem bater o número um do mundo": Chris Horner critica a estratégia da Red Bull para evitar Pogacar

Ciclismo
sábado, 24 janeiro 2026 a 20:00
RemcoEvenepoel PrimozRoglic FlorianLipowitz RedBullBORAhansgrohe
A época baixa tem sido movimentada na Red Bull - BORA - Hansgrohe, que assegurou os serviços de um dos melhores ciclistas do mundo: Remco Evenepoel. Mas talento de topo traz um quebra-cabeças de gestão. Segundo Chris Horner, há “drama a fermentar” na estrutura alemã quanto à gestão das duas estrelas, ao calendário dividido e à decisão de deixar Primoz Roglic fora da longlist para a Volta a França.
Falando no seu podcast “Beyond the Coverage”, Horner defende que a chegada de Remco Evenepoel provocou uma mudança profunda na hierarquia da equipa, relegando Primoz Roglic para fora do centro das atenções.
“Lembram-se da mudança do prodígio belga? Foi a grande transferência da época passada, ao sair da Soudal Quick-Step para a Red Bull”, começou Horner. “Tiveram de comprar o contrato dele e, com essa compra, o Primoz Roglic, que acredito ser o segundo melhor ciclista do mundo, foi empurrado para baixo”, troçou.
Horner clarificou a sua avaliação do veterano esloveno. “Não o melhor da temporada de 2025, certamente; não é esse o caso. Mas quando olhamos para o seu palmarés, com vitórias na Volta a Espanha, na Volta a Itália, e em Monumentos, temos de perceber que o Primoz Roglic tem uma carreira incrível. Mas foi ultrapassado”.
A prova, segundo Horner, está no alinhamento para julho. “A Volta a França chega em julho de 2026, e o Remco é o chefe de fila. Nem sequer colocaram o Primoz Roglic na lista. Aliás, tem um calendário suave”.
roglic
Roglic lutará para conquistar a sua quinta Volta a Espanha, o que seria um recorde

A escolher a dedo a temporada?

Segundo Horner, a Red Bull preparou um calendário pensado para evitar o confronto direto com Pogacar, dividindo as forças.
“Entre Primoz Roglic e Remco Evenepoel, eles nem se cruzam. Então, estará a Red Bull-BORA-hansgrohe a escolher a dedo grande parte da época porque não têm de enfrentar um Tadej Pogacar, exceto em alguns momentos cruciais ao longo do ano?”, questionou Horner.
Horner foi crítico desta abordagem de “dividir para reinar”, argumentando que fragiliza a equipa perante a maior ameaça.
“Pensei que, se trazem Remco Evenepoel e Primoz Roglic, é para ir à grande ou ir para casa! Vão lutar com Tadej Pogacar!”, defendeu Horner. “Depois joguem a tática a 100%, façam a UAE Team Emirates fazer tudo e tentem bater o número um do mundo”.
Em vez disso, Horner acredita que a equipa persegue volume de vitórias para agradar aos patrocinadores, o que até pode ser uma estratégia inteligente. “Não me digam depois, se ganharem imensas corridas, ‘Chris, eles ganharam tudo’. Eu direi onde ganharam: onde o Tadej Pogacar não estava”, afirmou. “Os patrocinadores não entendem o ciclismo como aqui no Beyond the Coverage… Os patrocinadores entendem vitórias”.

A “viragem de guião” na Romandia

Horner traçou um cenário concreto que poderá dar dores de cabeça à gestão. Se Evenepoel perder para Pogacar na Liege-Bastogne-Liege, mas Roglic conseguir bater Pogacar na Volta à Romandia pouco depois, a pressão para mudar os planos para a Volta a França será enorme.
“Imaginemos que o Remco Evenepoel acabou de levar um corretivo de um Tadej Pogacar, e depois o Primoz Roglic bate o Tadej Pogacar na Romandia”, hipotetizou Horner, assumindo um Roglic em grande forma após o Tirreno-Adriático e a Volta ao País Basco.
“Meu Deus, aí estamos a falar de uma viragem de guião por parte de todos os diretores da Red Bull-BORA-hansgrohe. Eles têm de pensar na Volta a França agora que deixaram o Primoz Roglic fora da convocatória”.
“Dividiram a equipa em duas, com o Primoz Roglic e com o Remco. Então, conseguem voltar a juntá-los? Saberão sequer como voltar a juntá-los se decidirem levar o Roglic à Volta a França? Porque esses dois nem sequer estão a correr juntos no início da temporada de 2026”, concluiu.
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