A época de 2026 de
Michael Matthews ganhou contornos muito mais sérios do que se supunha, com o australiano a detalhar agora a verdadeira dimensão das lesões sofridas na queda de treino de março e o longo caminho de regresso que se seguiu.
Seis semanas após o
incidente que arrasou a sua campanha de Clássicas da Primavera, o corredor da
Team Jayco AlUla revelou um rol de lesões e cirurgias que sublinha a gravidade do contratempo.
Múltiplas cirurgias e lesões graves evidenciam a dimensão do revés
Numa atualização partilhada através da equipa, Matthews explicou o alcance dos danos, indo além dos relatos iniciais de fraturas nos pulsos para descrever um quadro clínico muito mais complexo. “A 5/3, tive um acidente grave em treino”, enquadrou. “Tive uma fratura exposta no braço direito, tendões cortados no polegar e fraturei o pulso e o polegar esquerdos, pelo que tive de ser operado várias vezes”.
O próprio processo de tratamento decorreu em vários países, ilustrando a urgência e a severidade das lesões. “Em Itália, fui operado de imediato ao braço esquerdo e, dois dias depois, voei para a Bélgica para operar os tendões do polegar direito”, continuou Matthews. “Além disso, tive também uma fratura na órbita do olho. Foi um processo enorme”.
Matthews deverá regressar à competição na Eschborn-Frankfurt, a 1 de maio
As imagens divulgadas com a atualização, mostrando Matthews no hospital com ambos os braços imobilizados e lesões faciais visíveis, reforçam a violência da queda e o impacto imediato que enfrentou.
Recuperação gradual após paragem total
As primeiras semanas de recuperação deixaram Matthews praticamente incapaz de treinar, um contraste evidente com a condição construída nas semanas iniciais da época.
“Agora passaram seis semanas e, felizmente, já consigo mexer os dedos”, afirmou. “Demorou muito. Durante três semanas não consegui fazer qualquer exercício, mas depois comecei a caminhar um pouco e a ir ao ginásio. Quatro semanas após a queda, pude iniciar o rolo, e o corpo começou lentamente a mexer-se outra vez. Entretanto, já consegui pedalar na estrada três vezes”.
Essa cronologia ilustra a profundidade do revés. O que poderia parecer, à partida, uma lesão que tirava apenas a primavera transformou-se num reset físico total, com até movimentos básicos a regressarem de forma gradual nas últimas duas semanas.
Matthews reconheceu ainda o apoio recebido nesse período e as limitações impostas pelas lesões. “Quero agradecer a todos as mensagens que recebi. Como não consegui mexer os dedos durante várias semanas, não pude responder a toda a gente. Isso tornou tudo mais difícil. Mas pensei muito nas vossas mensagens e no apoio que recebi da equipa”.
Michael Matthews no Beking Criterium 2025, no Mónaco
Forma em ponto ideal perdida com a época a recomeçar
Para lá do impacto físico, o timing da queda acrescenta uma camada extra de frustração à situação de Matthews.
O australiano abrira a campanha de 2026 com vitória no Gran Prémio Castellón e concluíra um bloco de treino-chave focado nas corridas que melhor se lhe adequam. “Tem sido um período difícil, porque caí precisamente quando terminei um grande bloco de treino para as corridas importantes”, concluiu.
Com a Milan-Sanremo e o conjunto das Clássicas da Primavera já para trás, a época de Matthews ficou, na prática, dividida em duas. O foco afasta-se dos objetivos de início de ano para uma reconstrução a mais longo prazo, com o regresso ao mais alto nível dependente da evolução da recuperação nas próximas semanas.
Para um corredor nesta fase da carreira, o desafio já não é apenas recuperar a forma, mas reconstruir após um revés físico significativo. Os progressos das últimas seis semanas oferecem um ponto de partida, mas o caminho até voltar a discutir corridas na frente permanece incerto.