“Toda a gente me subestimou. Se tentasse isso agora, seria impossível” - Sepp Kuss afasta nova conquista em grandes voltas

Ciclismo
sábado, 07 fevereiro 2026 a 21:30
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Poucas vitórias em Grandes Voltas dependeram tanto do timing e da percepção como o chocante triunfo de Sepp Kuss na Volta a Espanha em 2023. Foi uma corrida em que a liberdade contou tanto como a forma, e em que passar despercebido foi decisivo. Mais de dois anos depois, Kuss é claro: as condições que permitiram essa vitória já não existem.
“Toda a gente me subestimou. Se tentasse isso agora, seria impossível”, explicou Kuss em conversa com a Tutto Bici Web, ao refletir sobre as circunstâncias que lhe permitiram passar de fiel escudeiro a inesperado vencedor de uma Grande Volta.
As declarações do norte-americano vão ao cerne do motivo pelo qual o seu sucesso na Vuelta foi tanto produto de timing e percepção como de força em montanha. Kuss não foi marcado como ameaça à geral no arranque da corrida. Ganhou liberdade, entrou numa fuga decisiva e construiu uma almofada que nenhuma equipa rival levou totalmente a sério até ser tarde demais.
Esse elemento, admite, desapareceu.

Porque a Vuelta de 2023 foi uma oportunidade única

“Quando venci a Vuelta, quase ninguém me conhecia”, notou Kuss. “Se tentasse isso agora, toda a gente me controlaria. Nenhuma equipa voltaria a cometer esse erro”.
A observação é crua, mas certeira. A camisola vermelha de Kuss surgiu numa corrida em que a Visma ocupou os três lugares do pódio, com Jonas Vingegaard e Primoz Roglic também presentes. O que se seguiu foi uma das dinâmicas internas mais invulgares numa Grande Volta moderna, reforçando a ideia de que o triunfo de Kuss resultou de um conjunto muito específico de circunstâncias.
O próprio Kuss assume que repetir esse cenário exigiria repensar por completo a sua carreira. “Para realmente apontar a vencer outra Grande Volta, precisaria de uma preparação específica, uma revisão total do meu treino e da minha temporada”, afirmou. “Nem sei se sou capaz disso”.

Satisfação num papel diferente

Em vez de perseguir uma repetição de 2023, Kuss soa confortável com o rumo que a carreira tomou desde então. “Estou à vontade no meu papel de gregário”, explicou. “Não tenho de gerir a pressão. Tenho de fazer o meu trabalho o melhor possível”.
Esse papel vai colocá-lo novamente ao lado de Jonas Vingegaard em 2026, com Kuss apontado como peça-chave na estrutura de Grandes Voltas da Visma, enquanto o dinamarquês mira simultaneamente a Volta a Itália e a Volta a França. A ambição desse programa só sublinha o quão distante está a realidade atual da liberdade de que Kuss beneficiou há três anos.
Ainda assim, descartar outra vitória numa Grande Volta não significa abandonar por completo a ambição pessoal. “Na equipa, temos um líder, mas há espaço para todos”, disse Kuss. “Todos temos os nossos momentos e oportunidades. Cabe-nos aproveitá-los”.

Uma vitória moldada pelo timing, não por ilusão

A franqueza de Kuss desmistifica o romantismo que muitas vezes envolve o seu triunfo na Vuelta. Não foi um modelo pronto a repetir-se, mas um raro alinhamento de forma, confiança e subestimação que o ciclismo moderno cada vez menos permite.
Agora reconhecido, vigiado e central numa das equipas mais ambiciosas do pelotão, Kuss entende que a sua maior vitória surgiu precisamente porque ninguém a viu chegar.
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