O quarto lugar de
Ben Turner na
4ª etapa da Volta a Itália só contou parte da história. O corredor da
Netcompany INEOS não esteve apenas na luta pela vitória em Cosenza. Já tinha, antes, recuado para ajudar
Egan Bernal após o colombiano ceder em Cozzo Tunno, puxando depois para o recolocar no grupo dianteiro reduzido, antes de ainda disputar o sprint.
Jhonatan Narvaez acabou por vencer a etapa para a UAE Team Emirates - XRG, com Giulio Ciccone a terminar em terceiro e a vestir a maglia rosa. Turner cortou a meta em quarto, um resultado que sublinhou tanto a sua força como o sacrifício feito em prol das ambições da INEOS na geral.
Falando após a etapa ao Cycling Pro Net, Turner admitiu que o desfecho foi difícil de digerir tendo em conta as sensações. “Sim… ah, sinceramente sabe a grande desilusão”, expressou.
Questionado sobre o motivo, Turner explicou: “Ah, bem, não sei. Tinha boas pernas e, sim, foi importante olhar pelo Egan e estou muito feliz por ele não ter perdido tempo. Portanto, muito bom. Também pessoalmente me senti com boas pernas, o que foi agradável, e estive a subir com nomes muito fortes. Já sobravam poucos, por isso foi bom voltar a ter essa sensação, é bom saber que a forma está lá, pelo menos”.
Turner ajuda Bernal a superar um momento perigoso
O momento-chave surgiu no Cozzo Tunno, onde o ritmo da Movistar esfarelou o pelotão e empurrou vários nomes sonantes para a dificuldade. Bernal foi um dos descolados perto do topo, deixando a INEOS perante uma decisão.
Turner, que resistira na frente, foi chamado a recuar para ajudar. A manobra custou-lhe energia para o final, mas manteve Bernal na luta da geral num dia em que a perda de tempo pareceu, por instantes, provável.
Perguntado sobre o que Bernal transmitiu pelo rádio, Turner disse que o problema era gerível, não alarmante. “Sim, acho que, sabes, depois do dia de descanso e etapas fáceis é algo até normal ficar um bocado bloqueado, porque a subida foi muito explosiva”, afirmou.
“Por isso, não foi grande stress. Sabemos que ele tem nível, isso é claro, e não muda nada para nós. Continuamos com muita confiança nele e, sim, era só gerir o esforço nos últimos 2 km e sabíamos que voltaríamos”, acrescentou o britânico. “Arriscámos um pouco a descer, mas, sim, assumimos o plano da geral e isso é positivo”.
O compromisso resultou. Bernal regressou ao grupo da frente antes da chegada, enquanto Turner ainda teve o suficiente para ser quarto, atrás de Narvaez, Aular e Ciccone.
“Poderia ter sido talvez um resultado diferente”
O resultado de Turner tornou ainda mais marcantes as suas palavras no pós-etapa. Não se colocou como vencedor certo sem a perseguição, mas deixou claro que as pernas o fizeram pensar no que podia ter sido.
Questionado se parte dele pensava no que poderia ter acontecido caso não tivesse recuado para Bernal, Turner respondeu: “Sim, não… é difícil dizer se tinha pernas para ganhar, mas de certeza que hoje tinha muitas pernas. Talvez, no final, pudesse ter sido um resultado diferente. Mas veja-se, estamos aqui para o trabalho de equipa. Temos prioridades e estou muito orgulhoso do desempenho coletivo. Acho que estamos a correr muito bem como grupo. Por isso, estou ansioso pelos próximos dias”.
Essa foi a tensão no coração da INEOS na 4ª etapa. O quarto lugar de Turner confirmou que tinha forma para lutar pela etapa. O trabalho por Bernal confirmou que a prioridade da equipa continua a ser a geral.
Para Turner, a frustração era evidente. Também o foi o profissionalismo.