Jonas Vingegaard está a arrasar por completo a concorrência em França esta semana. A estrela de 29 anos da
Team Visma | Lease a Bike detém atualmente uma vantagem colossal de três minutos e 22 segundos no
Paris-Nice sobre o segundo classificado, o colombiano Daniel Martínez. Embora não fosse esse o plano inicial para a primavera, uma mudança forçada no calendário revelou que o trepador dinamarquês voltou ao seu melhor nível absoluto.
Vingegaard deveria iniciar a época no UAE Tour para enfrentar Isaac Del Toro e Remco Evenepoel. H
ouve, porém, uma queda e uma doença que o obrigaram a alterar o calendário. Isso conduziu-o ao Paris-Nice, onde está num patamar à parte. O diretor desportivo Marc Reef explicou que este domínio não é obra do acaso.
“Ele já estava em boa forma após o inverno. Claro que houve um pequeno percalço, mas também mudámos o programa. Foi algo para o qual pudemos trabalhar. Ele sente-se um pouco como há dois anos, antes da queda. No ano passado, as coisas não correram exatamente como esperávamos, mas, fisicamente, sente-se como o habitual”, disse ao jornalista
Daniel Benson.O sonho Volta a Itália e a Volta a França
Vencer a “Corrida para o Sol” seria ótimo, mas é apenas um passo rumo aos grandes objetivos de Vingegaard para o ano. Em maio, vai correr a Volta a Itália pela primeira vez, com a ambição de vestir a maglia rosa e completar a coleção de triunfos nas Grandes Voltas. Mais importante, a equipa acredita que esta corrida exigente o ajudará a preparar-se para vencer a Volta a França frente a
Tadej Pogacar em julho.
Jonas Vingegaard no pódio após vencer a 4ª etapa do Paris-Nice
“Acreditamos mesmo que isso lhe permitirá ganhar o Tour”, explicou Reef. “Sabemos o que vimos nos últimos dois anos, e isso significou que tínhamos de tentar algo novo. O que observámos na combinação Tour-Vuelta é que ele rende muito bem depois de uma Grande Volta, até melhor na Vuelta. Se prepararmos bem aqui, com uma primavera forte, ele pode alcançar um nível muito alto no Tour e competir contra o Pogacar, porque é isso que é preciso”.
Mesmo que o Giro seja preparação para o Tour, Reef deixou claro que Vingegaard vai a Itália para ganhar. “Só o Pogacar o conseguiu nesta era. Estamos prontos para o desafio. Quando quisemos vencer as três Grandes Voltas em 2023, perguntámo-nos: ‘Não será uma meta demasiado ambiciosa? Será sequer possível?’ Mas avançámos. É bom sonhar alto, mas também ter um plano e acreditar em algo”.
Um novo treinador e ignorar os rumores
Outra grande mudança para Vingegaard este ano é o treino. O seu treinador de longa data, Tim Heemskerk, saiu, e Mathieu Heijboer assumiu o cargo. Reef acredita que esta mudança pode ser exatamente o que a estrela dinamarquesa precisa.
“O Mathieu não abranda; ele exige”, observa Reef. “Isso pode trazer uma mudança positiva. Veremos. É uma pena que o Tim tenha saído. Ao longo de oito anos a trabalhar juntos, o Tim e o Jonas construíram algo, mas talvez a mudança seja boa. Pode trazer algo novo”.
Por fim, Reef respondeu aos rumores que circularam esta semana. Alguns relatos apontavam para uma possível mudança de Vingegaard para a INEOS Grenadiers, enquanto outros sugeriam uma retirada precoce, como Tadej Pogacar já admitiu ponderar no passado. O diretor desportivo tratou de afastar rapidamente essas ideias.
“Neste momento, não. Ele gosta do que faz, e isso é o mais importante. É também o que se vê e o que sentimos”, concluiu.