Jonathan Milan não vai defender o título da classificação por pontos na Volta a França em julho, com a
Lidl-Trek a confirmar uma mudança estratégica para a época de 2026. Apesar do excelente desempenho no ano passado, com duas etapas e a Camisola Verde, o sprinter italiano vai priorizar a
Volta a Itália, deixando a liderança no Tour ao colega Mads Pedersen.
A apontar à Maglia Rosa na Bulgária
A decisão assinala uma mudança relevante para o corredor de 25 anos, que entra na terceira temporada com a equipa. Ceder o lugar no Tour pode surpreender face ao sucesso recente, mas Milan vê a alteração como um passo lógico para equilibrar as ambições da equipa com os seus objetivos.
“Isso não é difícil para mim”, contrapõe Milan à
IDLProCycling quando questionado sobre abdicar do Tour. “Sou a favor de voltar a mudar o programa. Claro que seria bom voltar a correr o Tour, mas estou muito feliz por regressar ao Giro. Há bastantes oportunidades para sprinters e vamos com um comboio forte”.
O regresso à Corsa Rosa é motivado por uma oportunidade única. A
Volta a Itália 2026 arranca com uma histórica Grande Partenza na Bulgária, e a etapa inaugural termina em plano, cenário que faz o italiano sonhar com o prémio máximo.
“Depois da pausa, falamos com o treinador e definimos os objetivos na nossa perspetiva”, explicou Milan. “Já tinha visto que há várias etapas interessantes para sprinters no Giro, incluindo a primeira. Gostava muito de vestir a Camisola Rosa na Bulgária”.
Um comboio de lançamento mais alto
As mudanças de pessoal na
Lidl-Trek são quase tão relevantes como o novo calendário.
Com Jasper Stuyven a rumar à Soudal-Quick-Step, a equipa contratou o alemão
Max Walscheid, de grande estatura. Com 1,99 metros, Walscheid é um dos poucos no pelotão que supera os 1,94 metros de Milan.
“Estou mesmo contente com isso, porque ele é um tipo muito forte”, brincou Milan. “Atrás do Simone [Consonni], tinha sempre de ir baixo, mas atrás do Max já não preciso. Posso finalmente ir sentado mais direito”.
Milan sublinhou que a flexibilidade continua a ser a maior arma do comboio. “Vamos começar deliberadamente cedo em AlUla para trabalhar a ordem. Sei que o Max, mas também o Simone e o Edward Theuns, podem desempenhar qualquer função no lead-out”.
O calendário de 2026 de Milan foi desenhado para ganhar ritmo sem o desgaste que o afetou anteriormente. Vai iniciar a época no AlUla Tour e no UAE Tour, antes de um bloco forte na primavera: Tirreno-Adriático, Milan-Sanremo, Gent-Wevelgem e Paris-Roubaix.
“No ano passado já estava algo fatigado depois do Tirreno”, admitiu, recordando as dificuldades nas subidas da Primavera em 2025. Sobre a Milano–Sanremo, corrida onde sofreu nas subidas em 2025, mantém-se otimista mas realista. “Muita coisa mudou, mas a [Milan-Sanremo] é uma prova que adoro e onde quero fazer bem. A Cipressa e o Poggio correm-se hoje um pouco diferente do passado, mas temos de tentar”, concluiu.