"Se acreditasse verdadeiramente que podia derrotar Tadej Pogacar…" - Especialista dinamarquês classifica o plano Giro-Tour de Jonas Vingegaard como "sinal de resignação"

Ciclismo
sexta-feira, 16 janeiro 2026 a 20:00
tadejpogacar-jonasvingegaard
Está Jonas Vingegaard a mudar de rumo por acreditar que assim terá mais hipóteses de bater Tadej Pogacar ou porque já não acredita plenamente que o consiga fazer?
Essa é a questão desconfortável levantada pelo especialista de ciclismo da TV2 dinamarquesa, Emil Axelgaard, que colocou em causa a lógica da decisão de Vingegaard em disputar a Volta a Itália antes da Volta a França em 2026.

“Um pequeno sinal de resignação”

Axelgaard não apresenta a estreia de Vingegaard no Giro como ousada ou aventureira. Classifica-a como preocupante. “É difícil não ver isto também como um pequeno sinal de resignação”, afirmou em declarações publicadas pela TV2. “Se estivesse verdadeiramente 100% convencido de que podia bater Pogacar neste verão, provavelmente daria maior prioridade à desforra na maior corrida do mundo”.
Em vez disso, argumenta Axelgaard, Vingegaard escolhe priorizar outra coisa, mesmo sabendo que é provável que enfraqueça as suas hipóteses na Volta a França. Na sua ótica, a única justificação plausível seria a Visma e Vingegaard terem dados da Vuelta que indiquem que fazer uma Grande Volta previamente não prejudica de forma significativa o nível para julho.
Essa leitura contraria diretamente a mensagem oficial da Visma.

A própria explicação de Vingegaard

Quando a Team Visma | Lease a Bike confirmou a estreia de Vingegaard no Giro, o próprio corredor enquadrou a decisão como ambição, não recuo. “Claro que isso pesou na minha decisão”, assumiu no comunicado da equipa. “Já venci em França e em Espanha. Agora quero fazer o mesmo em Itália.”
Falou também desta mudança como uma tentativa deliberada de refrescar uma preparação para a Volta que seguiu o mesmo padrão durante anos. “Nos últimos cinco anos, a minha preparação para a Volta foi em grande medida a mesma. Desta vez, escolhemos algo novo”.
Do ponto de vista de Vingegaard, o Giro não é uma fuga a Pogacar. É uma estrada diferente que o leva até ele.
Mas Axelgaard não está convencido de que mudar a estrada signifique aproximar-se do destino.

A sombra de Pogacar

O contexto importa. Nas últimas duas épocas, Pogacar não só bateu Vingegaard na Volta a França. Fê-lo com autoridade crescente. Por isso, cada mudança da Visma é lida através de uma pergunta: isto ajuda Jonas a bater Pogacar?
Alguns especialistas, entre eles o antigo selecionador dinamarquês Anders Lund, defendem que fazer o Giro pode afiar Vingegaard física e mentalmente para a Volta. Axelgaard pensa o contrário. Vê risco, não oportunidade.
Para ele, a lógica é simples. Se Vingegaard estivesse totalmente convencido de que podia bater Pogacar num reencontro direto na Volta, essa seria a prioridade inequívoca. Escolher um caminho que provavelmente enfraquece a condição para julho sugere dúvida, não confiança.

Entre ambição e insegurança

A tensão neste debate é que ambas as leituras podem coexistir.
Vingegaard pode querer genuinamente completar o trio de Grandes Voltas, como assumiu. E pode acreditar que uma preparação diferente o pode ajudar. Ao mesmo tempo, é impossível dissociar estas escolhas do facto de Pogacar ter elevado a fasquia.
As palavras de Axelgaard soam tão incisivas porque desafiam a narrativa de que toda a mudança é puramente estratégica. Introduz a ideia de que emoção, dúvida e desgaste psicológico também podem estar em jogo.
Se tiver razão, então o Giro não é apenas uma decisão desportiva. É um sinal de onde Vingegaard está na sua rivalidade com Pogacar.

O que 2026 vai realmente testar

Vingegaard iniciará 2026 convencido, pelo menos em público, de que o novo caminho pode levá-lo de volta à amarela. Axelgaard acredita que essa convicção já apresenta fissuras.
O Giro contará parte da história. o Tour contará o resto.
Quando Vingegaard chegar a julho, o debate deixará de ser teórico. Ou o novo caminho aproximá-lo-á de Pogacar, ou o aviso de Axelgaard começará a soar menos como provocação e mais como diagnóstico.
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