Cameron Mason tem vivido uma temporada de altos e baixos. Mas no último fim de semana, em South Shields, conquistou o primeiro triunfo do inverno, dominando com autoridade os Campeonatos nacionais britânicos. Agora aponta às provas finais da época, enquanto avalia o estado modesto do ciclocrosse britânico.
“Acho que posso fazer algo em Maasmechelen e Hoogerheide. Mesmo que aponte aos Mundiais e falhe, ainda estarei suficientemente bem – há outras corridas”, disse Mason à
Cycling Weekly. “Cada corrida é tão diferente. Sempre que apareces, a concorrência muda, as condições meteorológicas mudam, o contexto é sempre diferente. Não é como no ciclismo de pista ou no atletismo, onde as condições são muito controladas”.
Mason somou
vários segundos lugares neste inverno, nomeadamente no Koppenbergcross, assim como em Hamme e Kortrijk, mas a vitória na Bélgica não apareceu. É também segundo no
Troféu X2O, porém os 2:52 minutos que tem para recuperar sobre Joris Nieuwenhuis tornam a missão tudo menos simples.
Ainda assim, Mason, a competir toda a campanha de inverno, teve e tem muitas oportunidades para mostrar valor. “Acho que é bom porque podes ter um dia absolutamente terrível no sábado, e no domingo voltas a alinhar; tu ainda te lembras de quão mau foste no dia anterior, mas mais ninguém. E pode acontecer o inverso. Este inverno, em alguns sábados estava nas nuvens, a flutuar, e no dia seguinte sentia-me um ciclista terrível.”
Cameron Mason a competir com o jersey de campeão nacional britânico em 2025-2026
Campeão nacional comenta o panorama do ciclocrosse britânico
“É tão fácil fazer comparações, porque têm o mesmo nome, corremos o mesmo desporto na Bélgica e no Reino Unido. Mas eu não os vejo como o mesmo desporto”, diz sobre a situação atual do ciclocrosse na Grã-Bretanha. “Fundamentalmente, as corridas que faço na Bélgica são profissionais, enquanto as que faço no Reino Unido são amadoras [...] Sempre que volto a casa para os nacionais, ok, parece um evento amador, mas é super importante – é uma das corridas mais importantes do meu ano”.
“Acho que as pessoas querem copiar e colar o modelo belga no Reino Unido, mas isso seria um erro – tudo é diferente. O público quer coisas diferentes, os corredores querem coisas diferentes. Sei que o que funciona na Bélgica não vai funcionar no Reino Unido – simplesmente não há dinheiro nem apoio para isso. Quero que a British Cycling crie mais corridas e mais degraus intermédios para que os juniores possam disputar mais provas UCI no Reino Unido e depois levem esses pontos para competir na Bélgica. Devem trabalhar em conjunto.”
A British National Trophy Series tem dado, nos últimos anos, oportunidades a corredores de alto nível para competir no país e somar um volume significativo de pontos UCI, mas a série também arrasta problemas recorrentes e, entre a época passada e a atual, houve provas canceladas.
Para o escocês de 25 anos, hoje o principal representante do setor masculino na disciplina, estão a ser tomadas as medidas erradas para melhorar o cenário britânico e o dinheiro não está a ser distribuído de forma eficaz. “A maneira de elevar o nível dos corredores britânicos não é apenas organizar uma corrida que custa centenas de milhares de libras. Seria, na verdade, investir valores normais nas corridas que já existem, porque já há organizadores, clubes e séries super empenhados e muito ativos”, concluiu.