Cole Kessler é um dos 13 neo-profissionais que envergam as cores da Modern Adventure Pro Cycling em 2026. A fundação da nova ProTeam norte‑americana assinala um ponto de viragem para o ciclismo na América do Norte, como herdeira do legado deixado pela Human Powered Health entre 2018 e 2023. Parte do núcleo muito jovem da equipa, Kessler já se estreou como profissional na Arábia Saudita, onde a formação passou o primeiro teste com distinção.
“Estivemos a conversar e tive a minha primeira espécie de entrevista com eles, mas ainda não tinha a certeza, e havia outras coisas no ar com outras equipas”, disse Kessler à
Domestique. “Sem propostas concretas, mas ainda estava a tentar perceber e falar com algumas equipas”.
“E depois, quando o plano começou a ganhar forma e comecei a ouvir mais sobre a Modern Adventure, pareceu bom demais para recusar. É um bocado um sonho, sabes, poder perseguir o teu sonho numa equipa com vários amigos com quem já competiste. É muito fixe”, sublinha o norte‑americano.
Com 22 anos, Kessler está entre os mais jovens do plantel de 2026, mas traz muita experiência acumulada em quatro épocas nas academias da Israel e, mais tarde, da Lidl‑Trek. Com estreias absolutas de jovens como Harry Lasker, Ezra Caudell, Lucas Towers ou Samuel Flórez numa equipa UCI, e logo na divisão Pro, Kessler será a ponte entre os líderes mais experientes e os “rookies”.
Tornar‑se profissional ao lado de pessoas que conhece bem é um fator importante para Kessler. Com a química já afinada, a equipa pode agora focar‑se plenamente no desempenho.
Byron Munton saltou do Feirense para a Modern Adventure
A importância da Modern Adventure
Kessler acredita que ter uma ProTeam norte‑americana como patamar intermédio entre o nível continental/nacional e o topo do ciclismo era a peça em falta na hierarquia do ciclismo na América do Norte. Graças à Modern Adventure Pro Cycling, essa lacuna fica preenchida.
“É fantástico, honestamente. Como americano, sonhas sempre estar numa equipa com vários compatriotas, mas não temos tido essa oportunidade”, lembrou Kessler. “Não tem havido uma equipa americana, ou pelo menos uma equipa americana maioritariamente de americanos, há muito tempo, por isso é mesmo fixe fazer parte de algo novo assim”.
Sempre que surge um projeto novo no pelotão, multiplicam‑se as dúvidas sobre funcionamento, objetivos de longo prazo e sustentabilidade. Mas, pela experiência que tem até agora, Kessler só tem elogios para a
equipa de George Hincapie.
“Fiquei agradavelmente surpreendido com o quão profissional e bem estruturado está tudo”, afirmou. “Tenho de dizer que é um ambiente muito mais descontraído, não que a Lidl‑Trek não fosse descontraída, até gostei muito de lá estar, mas isto é mesmo porreiro”.
Ajuda, segundo o jovem todo‑o‑terreno, o facto de o staff incluir ex‑profissionais que estiveram no pelotão até muito recentemente, como Joey Rosskopf (36, retirado em 2024), Alex Howes (38, retirado em 2022) e Ty Magner (34, retirado no último inverno).
“A equipa de diretores é super jovem e todos são ex‑pros, e não se retiraram há muito tempo, por isso conhecem o jogo. Sabem o que é ser americano e estar longe de casa. Preocupam‑se mesmo com o teu estado e bem‑estar, o que é refrescante”.
Para já, o projeto arrancou com o pé direito. No AlUla Tour, abertura do calendário Pro Series da época, o duo sul‑africano Byron Munton & Stefan De Bod impressionou: o primeiro foi 2º na etapa rainha e o segundo fechou em 4º na classificação geral.