Aos 31 anos,
Artem Nych continua a somar vitórias nas estradas portuguesas e
voltou a deixar marca ao conquistar, em Paredes, a sua 16ª vitória desde que chegou à Anicolor/Campicarn, em 2023. O triunfo deste domingo teve um peso especial, não só por representar a repetição da vitória no
GP O Jogo, mas também pela forma como foi alcançado, apenas decidido nos últimos metros.
Depois da cerimónia protocolar e já cumprido o controlo anti-doping, o ciclista russo falou com satisfação sobre o significado deste resultado para a equipa. "Este é um Prémio muito importante para a nossa equipa e que queremos sempre ganhar",
afirmou em Paredes, mostrando que esta corrida tem um lugar particular no historial recente da estrutura de Águeda.
Nych destacou ainda o registo consistente da equipa nesta competição ao longo dos últimos anos. Antes do seu bis, já tinham triunfado Rafael Reis, em 2022, e Mauricio Moreira, em 2023, ainda com outra designação de patrocinador. Entre essas vitórias e a mais recente, o corredor russo reconheceu que a edição deste ano foi particularmente exigente.
"Ganhar nunca é fácil, mas esta corrida terminava com montanhas muito inclinadas, que não eram boas para mim. Conseguimos vencer ao sprint e fiquei muito contente. Tenho de agradecer à equipa a forma como controlou a etapa", explicou, referindo-se às dificuldades da jornada final, que obrigaram a um esforço coletivo para manter as hipóteses intactas até à meta.
Com 1,95 metros de altura, uma característica pouco comum para um corredor com resultados regulares em provas por etapas, Nych tem vindo a consolidar o seu nome no pelotão nacional. Desde que chegou a Portugal, tem somado vitórias de forma consistente e, após uma primeira época de adaptação, afirmou-se como uma das figuras mais regulares nas corridas do calendário português.
O triunfo deste domingo elevou para 16 o número total de vitórias ao serviço da equipa liderada por Rúben Pereira. Metade desses êxitos correspondem a classificações gerais, incluindo sucessos repetidos em provas como o GP O Jogo, o Grande Prémio das Beiras e a Volta a Portugal, onde também já conseguiu vencer por duas ocasiões.
Apesar desse percurso positivo, o próprio corredor reconhece que repetir o sucesso na principal corrida do calendário nacional não será tarefa simples. "Repetir na Volta não será simples, porque é a corrida mais importante e porque este ano teremos algumas das melhores equipas internacionais", referiu, com olhos postos na "Grandíssima", que este ano poderá contar com equipas worldtour, incluindo a super estrutura UAE Team Emirates - XRG.
Sobre o desenrolar da etapa decisiva em Paredes, Nych explicou que a estratégia inicial da equipa teve de ser revista a meio da corrida. O plano não passava por assumir o controlo do pelotão desde cedo, mas as circunstâncias acabaram por obrigar a mudanças.
"Não queríamos controlar, por não termos a camisola amarela (estava na posse de Hugo Nunes). Tínhamos o Ruben Fernández na fuga, mas ele furou e tivemos de mudar a estratégia, pois a Efapel tinha o Diogo Gonçalves isolado", contou, lembrando o momento que alterou o rumo da corrida.
Com o grupo de fugitivos neutralizado antes das últimas dificuldades montanhosas, a corrida entrou numa fase mais tática. Nas subidas finais, Nych encontrou pela frente um adversário que conhece bem, Tiago Antunes, que recentemente o tinha superado na Volta ao Alentejo.
"Ele está forte e é muito rápido nas chegadas. Por isso não trabalhei no final, para guardar forças até ao sprint", explicou, justificando a decisão de não colaborar na frente do grupo até ao momento decisivo.